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Quando a fertilização in vitro é a saída

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O médico especialista em reprodução assistida Rodrigo da Rosa Filho, da clínica Mater Prime, explica que “as causas de infertilidade são bem distribuídas entre o casal, sendo que em 30% dos casos o fator é masculino, 30% é feminino. Nos outros 30% os problemas ocorrem tanto no homem quanto na mulher, e 10% são desconhecidos”.

 

A infertilidade pode ser definida quando o casal não obtém sucesso em engravidar após seis meses de tentativas – ou seja, relações sexuais frequentes sem nenhum método contraceptivo. Em casos especiais – por exemplo, quando a mulher tem mais de 35 anos.

 

Quando isso ocorre, é o momento de procurar ajuda profissional para descobrir as causas e decidir qual o tratamento adequado. Uma das técnicas de reprodução mais conhecidas é afertilização in vitro, realizada em laboratório com preparo do sêmen e dos óvulos.

No tratamento, os ovários são estimulados com a administração de hormônios para obtenção de um maior número de óvulos. A coleta dos óvulos é realizada por uma punção realizada por via transvaginal, sob anestesia. No mesmo dia, a obtenção dos espermatozoides pode ser realizada por ejaculação espontânea (masturbação) ou procedimentos cirúrgicos (extração testicular ou epididimária nos casos de ausência de espermatozoides no sêmen, ambos com anestesia).

 

Na técnica clássica, óvulos e espermatozoides são colocados em uma placa para que haja a fertilização espontaneamente. Os óvulos fertilizados têm seu desenvolvimento acompanhado, sendo transferidos após dois a cinco dias para a cavidade uterina através de um cateter.

 

Já a técnica de fertilização in vitro por meio de ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide) injeta-se um único espermatozoide diretamente no interior do óvulo, através da micromanipulação dos gametas. Os óvulos são fertilizados e, após acompanhamento e seleção, os pré-embriões serão transferidos, como na fertilização in vitro clássica. É a técnica mais realizada atualmente devido ao grande potencial de fecundação dos óvulos, independentemente da condição do sêmen ou da qualidade dos óvulos. “A técnica ICSI revolucionou os tratamentos de reprodução assistida, pois permitiu que muitos homens inférteis pudessem ser pais biológicos”, afirma Rodrigo da Rosa Filho.

 

O número de embriões transferidos varia de acordo com o caso, podendo ser no máximo dois em mulheres de até 35 anos, três embriões em mulheres dos 36 aos 39 anos, e até quatro nas acima de 39 anos. A taxa de sucesso varia de acordo com a idade da mulher e com as causas da infertilidade – e variam de 5% a até 60% por tentativa.

 

Quando os médicos optam pela Fertilização In Vitro:

 

Endometriose grave

Doença ginecológica benigna na qual as células que normalmente recobrem o interior do útero, chamadas endometriais, são encontradas fora da cavidade uterina. As células do endométrio descamam todos os meses e são eliminadas com a menstruação – as externas ao útero se fixam em outros locais e são chamadas de implantes de endometriose.

 

A doença acomete aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva – e raramente encontrada em mulheres durante ou após a menopausa. O risco parece maior nas mulheres com a primeira gestação tardia. Estimativas sugerem que aproximadamente 20 a 50% das pacientes que realizam tratamento para infertilidade têm endometriose e que 80% das pacientes com dor pélvica também possam ter a doença.

 

“A endometriose dificulta ou impede a gestação espontânea por alterar a arquitetura da cavidade pélvica, além de afetar negativamente a função dos órgãos do aparelho reprodutor devido a produção de citosinas inflamatórias”, relata o especialista.

 

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Síndrome de ovários policísticos

A Síndrome dos ovários policísticos (SOP) é caracterizada por alterações hormonais que impedem a gravidez de forma natural. Essas alterações promovem a ausência de ovulação, trazendo irregularidade nos ciclos menstruais. A SOP afeta de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva – representa cerca de 30% dos casos de infertilidade conjugal.

 

Geralmente, as mulheres com SOP apresentam ciclos menstruais com intervalos maiores de 35 dias e muitas só menstruam após uso de medicamentos. Além das alterações nos ciclos menstruais, a SOP ocasiona alterações da pele (acne e hirsutismo) e alterações metabólicas importantes (obesidade, diabetes e risco de câncer de endométrio).

 

Fator tubário

O fator tubário corresponde por 30% a 40% dos casos. As principais causas de danos às tubas ocorrem devido a processos inflamatórios que podem decorrer de doenças ginecológicas, cirurgias ou infecções. Com o problema, a tuba apresenta obstruções que impedem o encontro do espermatozoide com o óvulo:

 

·                A doença inflamatória pélvica ocorre pela infecção de bactérias que são transmitidas sexualmente, tais como a clamídia e o gonococo. Muitas vezes essas infecções são assintomáticas e ocorrem alterações nas tubas, prejudicando seu adequado funcionamento.

 

·                Além das bactérias, a endometriose já citada e a tuberculose também podem causar alterações nas tubas, assim como aderências pós-cirúrgicas, que criam obstruções.

 

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Varicocele

A varicocele é a principal causa de infertilidade masculina. Ela é caracterizada pelas varizes das veias do plexo pampiniforme na bolsa testicular. “Nessa situação, há um aquecimento dos testículos e aumento da produção de radicais livres, prejudicando a produção normal dos espermatozoides.”, explica o médico.

 

Fonte:  Rodrigo da Rosa Filho

O médico Rodrigo da Rosa Filho é especialista em reprodução humana. Graduado em medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM), Rodrigo é sócio fundador da Clínica de Reprodução Humana Mater Prime.

 

É membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP), e co-autor/colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da SBRH e autor do livro ” Ginecologia e Obstetrícia- Casos clínicos” (2013).

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