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Presença versus Presentes

pai

Atitudes permissivas, falta de limite e excesso de presentes como forma de compensar ausência podem transformar negativamente a relação entre pais e filhos.

 

Nos dias atuais, é muito comum ver pais ausentes no dia a dia dos filhos. A correria do trabalho acaba demandando demais, e em prol de uma promoção ou maior notoriedade no escritório o tempo em família é reduzido. Com isso, muitos pais tendem a compensar sua ausência com presentes, o que, de acordo com especialistas, pode transformar por completo a forma como estas crianças irão enxergar o mundo e as pessoas ao seu redor.

As transformações sociais dos últimos anos fez com que pais e mães começassem a passar mais tempo fora do que dentro de casa. Consequentemente a ausência no dia a dia dos pequenos e em momentos importantes se fez maior. Ao invés de repensar valores e buscar alternativas mais saudáveis para a questão, muitos pais acabam, sem nem perceber, compensando sua falta com presentes, brinquedos, etc. De acordo com o psicólogo Akim Rohula Neto, a qualidade da relação é importante mas o tempo também: “Quando os pais trabalham muito e passam pouco tempo com as crianças tendem a desenvolver relações menos íntimas com elas. Esses pais precisam refletir sobre como poderão criar momentos nos quais possam desenvolver a intimidade com os filhos, educá-los e tornarem-se, de fato, pais. Além dos momentos juntos, deverão saber como administrar os momentos distantes, dando tarefas, por exemplo” explica ele. Ainda de acordo com Akim, quando isso não acontece, cria-se uma enorme confusão na cabeça dos pequenos: “A natureza do brinquedo é diferente da natureza da intimidade humana”, pontua. “Não é possível compensar uma coisa com a outra. Quando se cria este padrão, ensina-se à criança que os pais são culpados por estarem ausente (ao invés de ensiná-las sobre o esforço dos pais), que elas têm direitos sobre o esforço dos pais (que, afinal de contas, são culpados), e que os pais valem menos que brinquedos (afinal de contas se compensa um com o outro). Logo, para a criança, seres humanos passam a ser descartáveis e as relações passam a se basear em trocas que não tem ligação direta. Isso é muito prejudicial na maneira pela qual a criança vê os outros, se vê e entende as relações e como elas se estabelecem”, conclui Akim.

Sendo a culpa a maior responsável pela alimentação desse ciclo vicioso, os pais vivem em cima da ideia de que estão devendo algo aos filhos, e por conta disso devem ser constantemente recompensados. “Assumir a culpa e trabalhar em cima de soluções é o mais correto a se fazer, ao invés de negá-la e encher a criança de coisas das quais ela não precisa”, diz o psicólogo.  Para mudar o panorama, o primeiro passo que deve ser tomado é passar a trabalhar com itens da mesma natureza: “É muito mais importante criar maneiras de estar com seu filho e de fazer a criança sentir a proximidade com o pai do que dar-lhe brinquedos para continuar brincando sozinha. Proximidade se compensa com proximidade”, diz o especialista. Ainda de acordo com Akim, a tentativa de compensação de problemas sempre acaba gerando mais problemas.

O termo “tempo de qualidade” também não é algo que o psicólogo goste de usar: “Não é importante ter “tempo de qualidade”, é importante ter qualidade na relação. É importante afirmarmos o problema ao invés de tentar diminuí-lo. Temos um problema social no qual os pais ficam pouco tempo com os filhos. Negar isso com a ideia de que uma hora de muita qualidade é melhor que várias de pouca qualidade é sem sentido.”, explica.  Akim pontua que o ideal é expor a situação ao filho, mostrando a ele que só se tem aquele momento para estarem juntos, e que quando estão fora, os pais estão em busca do melhor para a família. “É preciso ensinar à criança a noção de valor”, diz o profissional que conclui afirmando “não acredito em momentos de qualidade quando se trata de relações humanas. Acredito sim na qualidade, e que esta pode ser mantida mesmo à distancia, se as bases dessa relação forem sólidas e bem estruturadas”, finaliza.

 

Fonte: Akim Rohula Neto

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