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Férias e Autismo: como planejar a temporada?

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No período das férias, é comum que pais sintam-se cansados em viagens e passeios com os filhos. Mas quando se trata de crianças com necessidades especiais, como no caso da criança com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a exaustão pode ser ainda maior. De fato, crianças com algum atraso no desenvolvimento exigem demandas que, por vezes, desgastam os pais, mas nem por isso a família deve deixar de aproveitar as férias, como defende a diretora do Instituto de Educação e Análise do Comportamento (IEAC), Michelli Freitas. A psicopedagoga e analista do comportamento lista algumas dicas de como os pais podem se planejar para as horas de lazer com os filhos nessa época.

Utilize a previsibilidade

Seja uma viagem ou um simples passeio a algum lugar diferente, o ideal é que a criança seja comunicada antes com antecedência sobre o que vai acontecer na sequência. Utilizar recursos visuais, como fotos dos lugares por onde devem passar é também uma boa estratégia. Fazendo isso, a criança terá previsibilidade e mais segurança durante o passeio.

Trabalhe as expectativas 

Achar que todos os programas serão interessantes para o seu filho como é para as outras crianças pode ser um grande equívoco. O espectro autista é extremamente amplo e nesse contexto cada criança possui sua individualidade. Desse modo, tente ajustar ao máximo o ambiente às preferências da criança e entenda que o contrário jamais pode acontecer. Não é o filho que precisa se adequar ao ambiente, mas o ambiente que precisa ser adequado à criança.

Associar atividades não prazerosas a outras que a criança goste

Para ampliar a quantidade de atividades que a criança gosta, os pais podem colocar algo que já é habitual associado a outras nas quais a criança não tenha afinidade (ou que seja neutro para ela).  Essa prática pode fazer com que a criança passe a gostar de coisas antes não habituais.

Escute a criança

Antes de viajar ou programar uma saída, questione o filho se ele está à vontade com a ideia de ir até determinado lugar. Do mesmo modo, quando já estiver no local, pergunte se ele está se sentindo disposto e procure entender se tem algo de errado. Algumas crianças autistas possuem um comprometimento maior na fala e, portanto, não conseguem comunicar o que sentem.

Evite lugares muito movimentados

Se o roteiro inclui passeios em lugares com mais movimento, como praias ou parques, por exemplo, o ideal é que a criança já tenha familiaridade com o ambiente. De outro modo, é recomendável optar por locais mais tranquilos e com menos barulho.

Não esconda o autismo das outras pessoas

Mesmo com todos os cuidados, a criança autista pode apresentar uma crise ou comportamento alheio a qualquer momento e os pais precisam estar preparados, como também alertar quem estiver por perto. Expondo a realidade, fica mais fácil de obter a compreensão das pessoas e também evitar maiores transtornos para a criança.

Aproveite as horas livres em casa

Nos períodos em que não estiverem passeando, é interessante que os pais ou responsáveis incentivem o desenvolvimento e aprendizado da criança em casa. Mesmo nas férias, a terapia e as intervenções não podem ser interrompidas, portanto, é recomendado separar períodos do dia para elas, mas também deixando algumas horas livres para a criança brincar e fazer o que quiser.

Fonte: Michelli Freitas, do IEAC

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