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Conflitos conjugais podem causar danos às crianças, diz estudo

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As crianças são muito mais sensíveis do que se possa imaginar. Por isso, brigar na frente delas pode ser uma péssima ideia, mesmo que seja uma discussão sobre quem vai lavar a louça ou tirar o lixo. E se você tem esse hábito, preste atenção nisso: crianças que presenciam brigas ou conflitos dos pais podem se tornar ansiosas, hipervigilantes e mais propensas a distorcer os sentimentos de outras pessoas.

Essa foi a conclusão de um estudo que acaba de ser publicado no Journal of Social and Personal Relationships. A mensagem dos pesquisadores foi clara: mesmo os menores conflitos conjugais podem causar danos nas emoções dos filhos e esses prejuízos podem ser piores em crianças com traços de timidez.

Crianças longe dos conflitos
Como não é possível eliminar 100% dos conflitos na vida a dois, os casais que têm filhos precisam ter consciência de que é preciso proteger os filhos do que acontece na vida conjugal.

Para Marina Simas de Lima, terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal, é importante que a criança perceba que os pais se importam uns com os outros e que resolver os conflitos é algo que faz parte da dinâmica do casamento.

“Por outro lado, esse entendimento por parte da criança não é tão simples e depende da faixa etária. Até por volta dos sete anos, a criança terá dificuldade em entender uma briga dos pais. Além disso, ela pode acabar sentindo o estresse gerado pela situação e interiorizar a tensão, ficando confusa e insegura”, diz Marina.

A culpa é minha!
“Dependendo da criança e do momento de vida desta criança, ela pode imaginar que a culpa é dela ou ainda que ela desapontou os pais. Embora até os cincos anos isso seja mais comum, isso pode acontecer em qualquer fase da infância ou da adolescência. Assim, os pais devem ficar atentos e evitar brigas na frente dos filhos sempre”, explica Denise Miranda de Figueiredo, terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal.

Olha o exemplo!
As especialistas lembram ainda que há um outro problema associado às brigas conjugais na frente dos filhos: a imitação do comportamento. “As crianças podem imitar os comportamentos dos pais e adultos com os quais convivem. As relações que elas vão estabelecer com as pessoas que estão ao redor delas podem trazer mais ou menos segurança no ambiente familiar e nas relações que serão estabelecidas ao longo da vida” dizem Marina e Denise.

Ainda falando em exemplo, sabe-se que crianças que presenciam brigas dos pais com frequência podem apresentar uma dificuldade maior em desenvolver e em manter relacionamentos saudáveis, sejam de amizade ou amorosos.

“Por isso, os casais precisam ficar atentos e descobrir novas maneiras de colocar as diferenças dentro de um casamento, que não seja pela explosão, pela violência, pela desqualificação um do outro. Mas que seja pela negociação para mostrar aos filhos que é possível e saudável ter diferença de opiniões e que uma relação saudável é aquela em as diferenças são bem-vindas”, comenta Denise.

Como brigar sem envolver os filhos
Com a ajuda das terapeutas, elaboramos 5 dicas para manter a DR entre quatro paredes e bem longe das crianças. Confira:

  1. Tudo passa: A briga escapou e a criança presenciou a cena? Tudo bem. Sente-se e explique que adultos às vezes precisam resolver alguns problemas. Mas que tudo passa e logo vocês farão as pazes.
  2. Não busque apoio na criança: Criança não toma partido, não deve ter que escolher entre o pai ou a mãe na briga. O ideal é que a criança nem fique sabendo que os pais brigaram, principalmente antes dos sete anos. Depois disso, ainda é bom evitar, mas o entendimento melhora e a criança desenvolve a capacidade de perceber que as brigas podem acontecer entre os pais. Ainda assim, evite ao máximo usar de violência física ou verbal se a briga a acontecer na frente da criança ou longe dela, claro.
  3. Briga com hora e lugar marcados: Pode ser difícil planejar uma briga né? Afinal, muitas vezes os conflitos são imprevisíveis. Mas, se possível, organize-se para conversar ou para discutir os assuntos quando as crianças já foram dormir ou quando não estão em casa.
  4. A briga vai, o amor fica: Outro ponto fundamental é conversar com as crianças e mostrar que apesar da discussão, o amor está presente. E que é preciso um tempo para as coisas voltarem ao normal, mas irão voltar. Quando você explica o que está acontecendo, a criança pode se sentir mais segura.
  5. Treinando para negociar conflitos: O casal precisa treinar para negociar os conflitos, sem usar agressividade ou violência nas discussões. Isso pode se estender para ensinar a criança depois dos 10 anos a negociar também com os pais, sem brigar. Negociar dormir na casa dos amigos, negociar a compra de um brinquedo ou até defender uma opinião contrária. A criança pode aprender que ter opiniões diferentes sobre um assunto não significa algo ruim, mas que faz parte da vida.

“Essa pesquisa é importante e corrobora outros estudos que já mostraram os efeitos negativos das brigas parentais nas emoções das crianças. Assim, os pais podem procurar caminhos mais saudáveis para resolver os conflitos, levando em consideração o bem-estar da criança e o resgaste da harmonia na relação”, concluem as especialistas.

 

Fonte: Marina Simas de Lima

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