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Como a fertilidade feminina é prejudicada pela obesidade?

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Desequilíbrio hormonal em mulheres obesas é fator de peso para a dificuldade de engravidar

A obesidade tem crescido em velocidade quase epidêmica ao redor do mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde – OMS, um em cada oito adultos no mundo é obeso. No Brasil, em dez anos, a população obesa no país passou de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016, de acordo com o Ministério da Saúde.

Além de diversos males, já conhecidos, que o excesso de peso causa à saúde, ele ainda pode prejudicar a capacidade reprodutiva, impactando na fertilidade. O que acontece é que a obesidade pode provocar problemas cardiovasculares, afetar a estrutura anatômica e também despertar um desequilíbrio hormonal. “Esse desequilíbrio resulta na alta incidência de disfunções menstruais e anovulação, ou seja, a falta da ovulação, causando um risco de subfecundidade e infertilidade”, explica a médica especialista em reprodução assistida, Cláudia Navarro.

Caso a mulher tenha o desejo de engravidar e esteja nessa condição de obesidade, aconselha-se sempre buscar a ajuda de um especialista em reprodução assistida. “O profissional vai apresentar alternativas, como indução da ovulação, inseminação intra uterina ou até mesmo a fertilização in vitro. Mas é muito importante ressaltar que, antes de se iniciar o tratamento, é indicada a perda de peso com acompanhamento multidisciplinar”, alerta Cláudia Navarro.

Consequências da obesidade na gestação

Se, mesmo com sobrepeso, a mulher tiver sucesso para engravidar, é importante tomar cuidados durante a gestação. O risco de aborto e complicações na gravidez pode aumentar em mulheres com sobrepeso.  A obesidade também pode causar problemas como pré-eclâmpsia e diabetes.

O bebê também pode sofrer conseqüências. “No caso de mães diabéticas, há cerca de 50% de chances de que ocorra macrossemia fetal, ou seja, excesso de peso para a idade gestacional, e hipoglicemia”, comenta Cláudia Navarro. Na pré-eclampsia pode ser necessário interromper a gravidez antes da hora, o que irá provocar a prematuridade fetal com todas suas consequências.

Controle do peso

Manter uma dieta balanceada é fundamental e é importante que mãe e bebê recebam todos os nutrientes necessários. O ganho de peso nesse período é normal, mas, ao contrário do que o senso comum diz, a gestante não precisa “comer duas vezes mais”. Quem está com peso ideal costuma ganhar em torno de 10kg.  Já quem apresenta sobrepeso deve manter esse aumento em, no máximo, 7 kg.

O acompanhamento da saúde da mulher como um todo, durante toda a gestação, é fundamental também porque maus hábitos alimentares na gravidez também resultam em consequências após o parto. “Quase 50% das mulheres mantêm alguns dos quilos adquiridos nesse período. A atividade física supervisionada pode ser uma aliada no controle de peso durante a gestação”, orienta Cláudia Navarro.

Cálculo de IMC

Obesidade e sobrepeso envolvem excesso de acúmulo de gordura que afetam negativamente a saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), se o índice de massa corporal (IMC) é igual ou maior a 25 kg/m2, o indivíduo apresenta sobrepeso; se o IMC for maior que 30 kg/m2 já existe um quadro de obesidade.

Fonte: Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em Medicina (obstetrícia e ginecologia) pela instituição federal. Atualmente, atua na área de reprodução humana, trabalhando principalmente os seguintes temas: infertilidade, reprodução assistida, endocrinologia ginecológica, doação e congelamento de gametas.

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