Há duas definições de mãe: aquela que com o seu corpo fez o nosso corpo por nove meses e a mulher que nos nutriu corporalmente e espiritualmente depois disso. Mas ser uma não necessariamente significa ser a outra (vide filho ou filha adotados ou mães biológicas que passam o cuidado de seus filhos a outras mulheres).
Ser boa no primeiro conceito é muito mais fácil do que ser boa no segundo. Numa, basta se alimentar bem, fazer os exames e tratamentos necessários adequadamente e em menos de 40 semanas a função está cumprida. Ser boa no segundo, aí complica, e muito!
Ser bom em algo significa cumprir com os requisitos da atividade. A boa mãe de 50 anos atrás, hoje seria considerada cheia de falhas e faltas, pois os critérios para avaliar eram muito diferentes. Caso colocássemos a boa mãe de hoje para ser julgada com os critérios de 50 anos atrás, seria provável que fosse considerada permissiva demais com erros e atitudes dos filhos, facilitando demais a vida da criança e a punindo de menos.
Uma pergunta e uma atividade sempre gerarão o conceito de boa mãe:
1- O que é desejado, em termos de caráter e bem-estar, para o futuro do filho ou filha? Pelo menos segundo os critérios da mãe.
2- Trilha a ser percorrida para inspirar (não tem como forçar) este caráter e bem-estar no filho ou filha.
Tanto mais uma mãe atingir bem estes dois propósitos, tão melhor mãe ela será. Aqui vem um aspecto complicado: não necessariamente uma boa mãe será amada pelo filho, pois ela precisa, muitas vezes, exigir ou punir o filho ou filha para que se torne um adulto de bem. Deixar as crianças fazerem o que quiserem e protegerem-nas de tudo tende a gerar uma felicidade e segurança momentânea, contudo, tenderá a criar pequenos ditadores, inseguros e dependentes, enquanto crianças e adultos.
Para o filho ou filha amar a sua mãe, é preciso que sintam e valorizem o bem que a mãe gera ou inspira neles, o que depende muito da maturidade e o quanto a mãe sabe mostrar para a cria o bem que faz e o quanto se dedica a ele ou ela. Este ponto pode causar estranheza, mas poucas pessoas (crianças mais ainda) sabem valorizar os esforços das outras, embora não costumem ter este problema consigo mesmas. Boa mãe é aquela que aumenta a probabilidade (não há garantias) do filho ou filha ter uma boa vida, não sendo necessariamente amada pela prole.
Mas existem algumas atitudes (não são regras e não tem garantias) para as mães que querem que os seus filhos sejam independentes, firmes, dedicados aos estudos e trabalho, afetivos, tenham boa autoestima, amem-nas e que se relacionem bem com outros:
- O que seu filho ou filha for capaz de fazer por si, não faça por ele ou ela, a menos que seja pouco frequente;
- Duas críticas para cada três elogios;
- De vez em quando, mostrar à cria o quanto ela se esforça por ele ou ela;
- Abrace-os e diga o quanto eles são queridos;
- Demonstre que o comum na vida é fazer muito e receber pouco, embora tenham alguns momentos que seja o oposto;
- Punir de maneira leve e firme as atitudes inadequadas e recompensar proporcionalmente as boas;
- Permitir ao filho ou filha que chore ou se lamente, mas que nunca se renda aos pesos da vida;
- Peça a ele ou ela para se colocar no lugar dos outros, segundo respectivas vidas e valores, mas nunca se esqueça de si.
A mãe que se dispuser a ser boa, seja qual for o critério, precisa usar muito da própria vida para cuidar da vida do seu filhote, que em comparação a outros seres vivos, talvez seja o que mais demora para ser independente. Não apenas ela se privará de inúmeros momentos dedicados a prazeres para ela mesma, como sofrerá com comuns injustiças e frases ofensivas do fruto do seu ventre.
Buscar ser uma boa mãe do espírito do filho ou filha é uma das atitudes mais corajosas, complexas e existenciais que qualquer mulher pode tomar na vida. Agradeço à minha mãe por ter dado origem ao meu ser, nutrindo tanto o meu corpo, quanto a minha alma. Tenho uma vaga noção do quanto devo ter dado de trabalho.
Nota de rodapé: não tente ser uma mãe perfeita, isso não existe, principalmente aos olhos do filho ou filha. Importante é acertar mais do que errar e que as faltas ou falhas da educação dada, sejam supridas pelo adulto que o filho ou filha se tornar.
Fonte: BAYARD GALVÃO – Agência +PLUS Comunicação
É Psicólogo Clínico formado pela PUC-SP, Hipnoterapeuta e Palestrante. Especialista em Psicoterapia Breve, Hipnoterapia e Psiconcologia, Bayard é autor de cinco livros, criador do conceito de Hipnoterapia Educativa e Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo.