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Mulheres são 3 vezes mais propensas a crises de enxaqueca do que os homens, diz estudo

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Os Pesquisadores acreditam que as crises  estão relacionadas aos efeitos do hormônio feminino no cérebro 

A enxaqueca é um dos tipos de dor de cabeça mais comuns e só no Brasil estima-se que 15% da população sofra com as crises e que quase 10% das pessoas irão relatar pelo menos um episódio de enxaqueca durante a vida.

A doença é classificada como crônica, quando ocorre por mais de 15 dias ao longo do mês. E isso pode acontecer em até 2% da população.A enxaqueca está, diretamente, associada a diminuição significativa da qualidade de vida. As crises costumam levar ao afastamento do trabalho e a queda de produtividade.

A incidência da enxaqueca é maior em mulheres adultas, em vítimas de trauma na cabeça ou região cervical, em pessoas que abusam de analgésicos e cafeína. A depressão e roncos habituais indicam uma maior propensão para desenvolver quadros de enxaqueca.

“A causa da enxaqueca não é completamente conhecida mas acredita-se que as crises ocorram em razão da dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais”, explica o Dr. André Mansano, especialista em medicina da dor”.
De acordo com pesquisadores do Centro de Nutrição Clínica, da Universidade de Newcasttle, no Reino Unido, as crises são 3 vezes mais frequentes nas mulheres do que nos homens. E eles suspeitam que isso aconteça por causa dos hormônios femininos e seus efeitos sobre o cérebro. De acordo com estudos publicados essa semana, as mulheres que sofrem de “enxaqueca menstrual” podem ter pior função dos vasos sanguíneos no cérebro em comparação àquelas que não têm o problema. Segundo os especialistas, uma em cada 10 mulheres estudadas experimentou enxaquecas menstruais que provavelmente eram devidas a mudanças nos níveis hormonais, particularmente o estrogênio. Os estudos também mostraram que as enxaquecas tendem a piorar nas mulheres em transição para a menopausa, quando os níveis de estrogênio estão em declínio. A pesquisa ainda está em andamento e vai avaliar agora a relação entre a enxaqueca durante o ciclo menstrual e os níveis de fluxo sanguíneo no cérebro para possibilitar novas formas de tratamento da doença.

O que se sabe até agora é que o paciente com enxaqueca costuma apresentar as seguintes características:
– Dor, predominantemente, de um lado da cabeça, embora possa ocorrer dos dois lados

– Dor “pulsátil”

– A dor piora com as atividades cotidianas

– Fotofobia (piora com luminosidade)

– Fonofobia (piora com barulhos)

- Náuseas e/ou vômitos

“Os pacientes podem apresentar ainda o fenômeno de aura, que usualmente antecede o quadro de dor de cabeça. Durante esse fenômeno os pacientes relatam alterações visuais, como o surgimento de pontos brilhantes ou escuros na visão”, explica o especialista.

Recentemente a Sociedade Brasileira de Cefaléia relacionou os 10 principais fatores que estão associados às crises de enxaqueca:
– Ansiedade/estresse

– Jejum prolongado

– Sono insuficiente

– Alterações hormonais

– Irritação e alterações do humor

– Excesso de cafeína

– Sedentarismo

- Uso excessivo de analgésicos

– Consumo de determinados alimentos, como vinho, chocolate, queijos, entre outros.

– Fatores genéticos

A ENXAQUECA E O AUMENTO DO RISCO CARDIOVASCULAR

Recentemente um outro estudo veiculado numa das publicações médicas mais importantes do mundo, “British Medical Journal”, avaliou, durante mais de 20 anos, mais de 115 mil mulheres entre 25 e 42 anos das quais pouco mais de 17 mil apresentavam diagnóstico de enxaqueca.

Os autores avaliaram a incidência de complicações cardiovasculares do tipo infarto agudo do miocárdio, derrame e morte súbita entre as pacientes com enxaqueca e sem enxaqueca. A conclusão é que de fato a enxaqueca aumenta as chances de pacientes terem tais complicações cardiovasculares e esse aumento é da magnitude de 50%. É importante que a paciente com enxaqueca controle outros fatores de risco como hipertensão arterial, colesterol alto, diabetes e tabagismo.

“Alguns pontos merecem ser destacados. Apesar de ser um aumento significativo, a incidência de infarto nessas pacientes é ainda muito baixa; os mecanismos que levam a esse aumento do risco de infarto ainda não são completamente esclarecidos e ainda não se sabe se o tratamento da enxaqueca diminui os riscos a níveis normais”, conclui o especialista.

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