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Decoração eterna junto com o consumo consciente na decoração

Atualmente, fala-se muito em consumo consciente. Na decoração, uma maneira de promover este comportamento é lançando mão de relíquias de família ou escolhendo peças de design atemporal, que poderão atravessar gerações

 

O criado-mudo da vovó ou aquela poltrona do vovô guardam memórias afetivas e muitos sentimentos. Mas será que eles se encaixam na decoração da minha residência bem contemporânea? Sim, é totalmente possível adequar um mobiliário vintage ou mesmo relíquias de família ao layout moderno.

Segundo a arquiteta Flávia Roscoe, podemos, sempre, inserir uma peça de família que harmonize com o mobiliário contemporâneo sabendo dosar e pontuar a mescla de estilos. “Um objeto bem pontuado traz identidade à casa da família. É importante observar para haja equilíbrio e harmonia entre as peças. O objetivo não é reproduzir um ambiente antigo e, sim, trazer pequenos elementos de resgate para uma decoração contemporânea. Estamos inseridos e em harmonia com o nosso momento, mas temos links que nos trazem pertencimento”, relata.

Para a designer de interiores e psicóloga Fabiana Visacro, o ideal é pensar qual é o tamanho da história que esse elemento resgata, quão o cliente deseja destacá-lo na decoração e qual a estrutura deste objeto, se ele aceita uma roupagem nova por meio de pintura ou revestimentos diferentes. “A partir daí estudamos o processo que será desenvolvido para usá-lo na decoração. Os clientes já têm idealizado um espaço específico da casa para este objeto? Este objeto deverá ficar exposto na ala social da casa/trabalho ou é uma peça de lembranças mais íntimas e por isso deve ficar em locais mais privados? Esse objeto traduz de alguma forma a presença de um ente querido que deve estar vivo no dia a dia da família que se forma ou este objeto se trata de uma peça para ser usada em momentos específicos, como momento de orações? São questões que precisam ser entendidas para formar a contextualização da peça junto ao layout da residência”, destaca.

Neste quarto de bebê executado por Fabiana Visacro, o berço antigo trouxe muitas memórias afetivas

O mobiliário pode ser eterno. Passando por gerações em gerações, fazendo parte da história ao longo dos tempos. E, além dos modelos de ontem, há elementos criados nos dias de hoje que podem ser, também, a relíquia do amanhã. “Quando falamos em móveis eternos, estamos falando de design, qualidade e conceito. O mobiliário, seja atual ou vintage, se eterniza quando tem estes elementos reunidos. Podemos adquirir peças novas com um design já consagrado em outros momentos, como por exemplo uma poltrona Sérgio Rodrigues desenhada em 1957 e fabricada ainda hoje, ou apostar em novos designers que vêm fazendo um trabalho representativo e de grande qualidade na execução de suas peças. Sempre importante conhecer o que se está comprando. Uma boa assessoria ajuda na tomada de decisões conscientes e agrega valor à decoração quando se conhece a história e o conceito que a peça carrega consigo”, ressalta Flávia Roscoe.

Em seus projetos, Flávia Roscoe faz questão de especificar obras de arte e mobiliários de design que, por serem atemporais, podem atravessar gerações

De acordo com Fabiana Visacro, para uma peça ser considerada relíquia, ser a personificação de alguém na decoração ou representar o resgate de alguma história, ela precisa caracterizar uma determinada época ou representar um tipo de relação diferente das relações que se costuma utilizar nos dias atuais. “Esse objeto tem que trazer mais do que a forma e, sim, o significado de algo que impactou a vida de quem vai usá-lo no momento atual.  Como, por exemplo, um banquinho de madeira que servia de assento hoje pode ser um apoio de cama para receber livros de cabeceira mais importantes ou um terço, que pode ter sido usado por uma pessoa, por anos, no momento de orações e hoje está apoiado na cabeceira de cama de outra pessoa, de religião distinta, mas que quer sentir a presença espiritual de quem já não está mais ali presente. O objeto assume outras formas, ao mesmo tempo que perde a sua forma para ser afeto. E isso pode servir, também, para o dia de amanhã. Uso sempre em meus projetos elementos que podem frequentar gerações e gerações! Um gradil para guarda corpo de escada, hoje, pode virar suporte para bolsas numa residência futura ou um apoio para plantas e materiais de jardim”, encerra.

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